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Sinopse do enredo
Os leões símbolos da Unidos
do Cabuçu vêem contar de uma grande estrela, mulata
assanhada, que cheia de graça nos fascina, mexendo com a
vida da gente, fazendo pirraça, eletrizando nosso coração:
Elza Soares.
Nascida na pobreza de uma favela do Rio de
Janeiro, foi deste cedo que as influencias músicais vindas
do violão do pai, deram à centelha para o fogo incentivador
pela musica.
Sabão um pedacinho assim! Água um tiquinho assim!
Tanque um tanquinho assim! Mas a roupa, um tantão assim!
Era o lamento da Elza lavadeira. Que no esforço da luta diária
descobriu seu Dom.
Incentivada pela falta de dinheiro e pela fome, foi que em 1953,
tomou coragem de ir à Rádio Tupi, no programa "Calouros
em desfile". Ary Barroso, ao ver a figura a sua frente trajada
de modo caricato perguntou, de que planeta ela vinha! Sem hesitar
ela responde:_Do planeta fome!
Ao soltar a voz com a música "lama" o surpreso
apresentador diz:_ Acaba de nascer uma estrela!
Após se apresentar em vários lugares conheceu a companhia
de Mercedes Batista, que a levou para a Argentina. Na volta foi
contratada para a Rádio Vera Cruz onde teve contato com várias
personalidades que incentivaram sua carreira.
Em seu primeiro sucesso Elza canta: "Se
acaso você chegasse"
"...no meu barraco
À beira de um regato
E de um bosque em flor
De dia me lava a roupa
De noite me beija a boca
E assim nós vamos vivendo de amor"
Outros sucessos também embalaram vários
casos de amor, como os sucessos, "Beija-me" e "Beijo
na boca", cantados por Elza. Que falam de beijos com paixão
e juras sinceras de amor.
Em 1962, fez apresentações como madrinha do Brasil
na Copa do Mundo no Chile, onde conheceu o grande cantor Louis Armstgrong,
que reverenciou seu talento. Foi lá também que conheceu
um dos seus grandes amores, o jogador de futebol Garrincha.
Elza sempre foi essa mulata cheia de graça
até um pouco assanhada, com feitiço no olhar. Desde
os tempos da lata d`água na cabeça, estandarte que
representa sua arte, com seu jogo de cena e cintura driblou a fome.
Negra sempre foi seu nome, defendida pelo samba e o próprio
carnaval, hoje nesta avenida apresenta sua ciência e filosofia.
Carioca da gema se balança toda pra
andar, balançando do Leme ao Leblon, balançando o
Rio de Janeiro e nosso coração.
Elza avisa:_ Devagar com a louça! Nós conhecemos a
moça, por isso cuidado quando por pimenta no molho, só
pra ver se o povo agüenta.
Malandro, amigo, companheiro protetor, sei
que vive no mundo morrendo de amor. Por isso venho falar em nome
daquela que bem conhece a malandragem.
Uma coisa que todo mundo sabe é que
Chamego de crioula é o melhor remédio que pode existir.
Mas, pra fazer efeito direitinho você tem que rebolar, rebolar,
rebolar. E como Elza, dár o seu famoso passo de samba "miudinho".
Em 1984, Elza estava desiludida e decidida a desistir de tudo. Em
um acaso do destino encontrou com Caetano Veloso em São Paulo,
quando o mesmo a convidou para gravar, retornando ás paradas
de sucesso com a música "Língua".
De modo atemporal Elza transita em vários
estilos musicais sem perder o gingado.
Rock and roll ! Gritam as guitarras elétricas dos Titãs
e a ferocidade de Lobão irmana a voz rouca da eclética
Elza.
O blues de Cole Porter ganhou uma versão
em português em dueto com Chico Buarque e Elza Soares ,onde
cantam que dos cidadãos aos animais, todos fazem! Então!
Façamos, vamos amar!
Sabendo bem o que é o preconceito,
tendo consciência do seu valor, apesar de tacharem como diz
a música que "A carne mais barata do mercado é
a carne negra", Elza soares sempre apoiou a igualdade racial.
Até o funk carioca ganhou uma nova
sonoridade com a força de sua voz, lembrando que favela não
aparece em cartão postal e o desejo do pobre é apenas
ser feliz.
Desde menina Elza sempre gostou de carnaval,
tanto que variavelmente grava algum samba enredo. As escolas de
samba Acadêmicos do Salgueiro, Portela, Mangueira, Império
Serrano, Unidos de Vila Isabel, Unidos da Tijuca e União
da Ilha, já foram homenageadas com seus sambas cantados por
ela.
No Acadêmicos do Salgueiro foi a primeira mulher interprete
de samba enredo na avenida.
Além de defender com sua voz o desfile de sua querida Mocidade
Independente de Padre Miguel , e também a Acadêmicos
do Cubango.
E sua emoção chega ao máximo quando escuta
na voz do grande comunicador e amigo Jorge Perlingeiro, ao anunciar
as notas dez conquistadas por ela, na apuração das
escolas de samba.
Desde o primeiro lugar no programa de Ary
Barroso até o prêmio de melhor cantora do milênio
dado pela BBC de Londres em 2000, foram muitos prêmios, medalhas,
títulos, condecorações, discos de ouro e platina
que laurearam a voz rouca e forte de Elza, que continua recebendo
prêmios.
Emocionou multidões na abertura dos Jogos Pan-Americano de
2007, entoando nosso hino nacional.
Como atriz e homenageada tem estado na grande
tela do cinema inúmeras vezes.
O ditado "Mente sã em corpo são" é
prezando, da cabeça ao pé da letra por ela. A saúde
física e mental são marca registrada de Elza, que
é um exemplo de vitalidade.
Com uma conexão direta com o divino,
tem sua fé inabalada por São Jorge seu protetor.
Elza vibra ao ver em vermelho e preto as
conquistas e vitórias de seu time de coração,
confirmando que, uma vez flamengo sempre flamengo!
Nossa estrela tem incrível paixão
por outra estrela. Uma estrela que como um coração
bate forte no peito e na alma, ritmada, iluminada, colorida em verde
e branco. É em meio a lágrimas de felicidade que troco
os lugares, invertendo o papel, trazendo minha estrela angelical
e endiabrada, no coração da estrela símbolo
da Mocidade Independente de Padre Miguel.
Com certeza de que nossa estrela está
feliz em meio a sambistas, ritmistas, compositores, passistas e
gente como ela que vibram e sente a paixão popular do samba
e do carnaval, é que a Unidos do Cabuçu traz esta
singela homenagem, esperamos mostrar a similaridade de nossa escola
de samba com a eterna mulata assanhada. Com pretenções
de que daqui por diante um marco foi firmado no carnaval, quando
em um ato de doação máxima de sua arte, sentimentos
e pessoa, Elza Soares se dà através de nossa escola
de samba ao carnaval.
E é por isso que:
A Cabuçu dà a Elza na avenida!
Marco Aramha & Marcyo de Olliveira
Autores do enredo/ carnavalescos
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